De Novo Não
Voltar 02 de Janeiro de 2018

Como reduzir o índice de gravidez na adolescência?

A Organização Mundial da Saúde fornece uma base de evidências vigorosas...

Como reduzir o índice de gravidez na adolescência?

Por Ida Peréa

 

A gravidez na adolescência contribui para a morbi-mortalidade materna, perinatal e infantil, e para a formação de um ciclo vicioso de pobreza e problemas de saúde. Reduzir a gravidez na adolescência é vital para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à infância e à mortalidade materna, e para o objetivo global de redução da pobreza (ONU, 2015). 


A Organização Mundial da Saúde fornece uma base de evidências vigorosas para ajudar a desenvolver ou formular políticas e estratégias nacionais para a prevenção da gravidez precoce, evitar a repetição de gravidez não planejada entre adolescentes que já engravidaram e melhorar os resultados reprodutivos entre os adolescentes nos países em desenvolvimento. As orientações pretendem assegurar a melhor aplicação dos recursos disponíveis que devem ser gastos em abordagens ideais para prevenir a gravidez precoce entre adolescentes, e, por conseguinte, na redução da morbidade e mortalidade associadas à gravidez e ao parto nesta fase da vida.

Um número crescente de países identificou o combate à gravidez na adolescência como uma prioridade das políticas de saúde reprodutiva nacionais. No entanto, os resultados não se mostram alvissareiros provavelmente porque as abordagens adotadas não são abrangentes, como deveriam ser, e muitas vezes não se baseiam em evidências sólidas.

No Brasil, a incidência de gravidez nesta faixa etária vem apresentando redução consistente, porém muito mais lenta do que seria adequado para alcançar os ODS. Além disso, esta redução não é equânime em todas as regiões do País. Em 2015, a taxa de partos nesta faixa etária no país foi de 17,3%, enquanto na região norte foi de 24% e Rondônia contribuiu com uma taxa de 19,4% (DATASUS, 2015).

Em Porto Velho, há anos um grupo de médicos, aliados a grupos feministas, vem desenvolvendo ações de advocacy junto aos gestores locais para garantir os
direitos sexuais e reprodutivos das adolescentes em especial aquelas que tiveram uma gravidez e em algum momento foram atendidas em um serviço de saúde.

Destas ações, destaca-se o programa conhecido como “DE NOVO NÃO” (gravidez na adolescência sem planejamento, de novo não) tem como principal estratégia o
aconselhamento contraceptivo pós parto e pós aborto antes da alta hospitalar. O período de parto e pós-parto imediato é considerado um momento importante para a orientação reprodutiva, pois a mulher está muito receptiva, de forma que é necessário aproveitar a permanência hospitalar para esta atividade.


Dito isso, é imperioso considerar os métodos contraceptivos de longa ação disponíveis para uso no pós-parto imediato. O dispositivo intra-uterino com cobre
(DIU-Cu), o sistema intra-uterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) e o implante sub dérmico liberador de etonogestrel. (BRAGA e VIEIRA, 2015).